Sistema de Petições: minutas em .docx com trilha de auditoria
Projeto aberto que transforma relato e anexos em minuta .docx, valida o documento gerado e grava relatório de cada geração. Roda na máquina do escritório e declara as próprias limitações.

Quase todo escritório já tentou padronizar peça com modelo salvo na pasta compartilhada. O Sistema de Petições mostra um caminho mais rigoroso: recebe o relato do caso ou os anexos, monta a minuta em arquivo editável e — o detalhe que muda o jogo — guarda o registro de como aquela peça foi produzida.
É um projeto aberto, pensado para rodar na máquina do escritório, com interface web simples e caminhos alternativos por linha de comando. Não é uma plataforma multiusuário: é uma ferramenta local, de uso controlado.
O fluxo, do relato ao documento
- Entra o texto do caso ou o arquivo enviado — documento, imagem de documento digitalizado ou anexo em texto.
- O sistema extrai o conteúdo e normaliza o que veio.
- Infere o tipo de peça e o perfil formal, quando o usuário não informa.
- Consulta os modelos de instrução versionados do próprio escritório.
- Recebe de volta um conteúdo estruturado, em formato que pode ser validado.
- Renderiza o arquivo editável no padrão de documento.
- Valida o resultado, grava o relatório e libera o download.
A parte que interessa: validação e auditoria
Gerar texto é a parte fácil. O que dá confiança para usar em produção é conseguir responder depois o que foi gerado, com que instrução e a partir de que material. O projeto trata isso como parte do produto, não como detalhe.
- Cada execução grava um relatório com metadados, o modelo de instrução usado e informações do provedor de IA.
- Existe validação textual e validação estrutural do documento editável gerado — não é só conferir se o arquivo abre.
- Os modelos de instrução são versionados: quando o padrão muda, fica registrado o que mudou.
- Há painel local com métricas derivadas dos próprios relatórios.
- Retenção configurável: dá para definir o que o sistema limpa e quando.
Sem registro, a pergunta do sócio nunca tem resposta: de onde saiu essa minuta? Com relatório, cada peça tem origem, instrução e data — e a revisão deixa de ser fé para virar conferência.
Modos de saída e uso em lote
O sistema trabalha com dois modos de saída: minuta, para o advogado desenvolver, e final, para quando o texto já está no ponto. Além da tela e do envio pelo navegador, há dois caminhos que escritório grande costuma querer.
- Linha de comando para processar uma fila de pedidos em arquivo, útil quando o volume é grande.
- Interface simples de janela, para quem prefere trabalhar fora do navegador.
- Consumo por API, com token obrigatório por padrão na versão empacotada.
- Leitura de documento digitalizado por reconhecimento de texto, quando a ferramenta de OCR está instalada.
As limitações que o próprio projeto declara
Um dos pontos mais honestos do repositório é a lista de limitações — e ela é o melhor argumento para usar o projeto com critério.
O projeto avisa: gera rascunhos para revisão do advogado responsável; não decide estratégia processual, não verifica prazos nem mérito e não deve ser usado para protocolo sem revisão humana.
- Não pesquisa jurisprudência em tempo real.
- Não garante tese, prazo, competência ou aceitação pelo tribunal.
- Não tem banco de dados: o estado fica em arquivos locais, o que inviabiliza uso multiusuário sem camadas adicionais.
- A anonimização de dados pessoais é parcial — não é garantia de proteção completa.
- O provedor de IA é externo: enviar dado real é compartilhar dado com terceiro, e exige consentimento.
O que aproveitar no seu escritório
- A ideia de catálogo de tipos de peça e perfis formais por contexto — vale mesmo sem IA.
- A separação entre minuta e versão final no fluxo de produção.
- Relatório por peça gerada: origem do material, instrução usada e data.
- Validação do documento depois de gerado, não só antes de gerar.
- Política de retenção definida por escrito, com o que é apagado e quando.
Como avaliar em uma semana
- Escolha um tipo de peça recorrente e reúna cinco casos já encerrados.
- Gere a minuta a partir dos relatos reais e compare com a peça que foi protocolada.
- Confira se o relatório mostra a instrução usada em cada geração.
- Rode a validação no documento gerado e veja o que ela aponta.
- Defina quem revisa, quem aprova e onde o arquivo final fica guardado.
Padronizar peça é fácil. Difícil é conseguir provar, três meses depois, de onde veio cada minuta.Equipe IDEIA
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